Negros são, pela primeira vez, maioria nas universidades públicas do Brasil.

Negros são, pela primeira vez, maioria nas universidades públicas do Brasil.

Mais da metade da população do país é composta por negros. Aliás, o Brasil é o país com a maior concentração de pessoas negras, fora do continente africano. E ainda assim, são a parcela da população que menos tem qualidade de vida.

Mas uma pesquisa do IBGE feita em 2018, publicada recentemente, constatou que 50,3% dos estudantes da rede pública são pertencentes a esse grupo. Houve também um aumento no acesso à educação e permanência nos estudos. Apesar de tais progressos, ainda há uma grande diferença em relação aos brancos de 18 a 24 anos que estão ocupando lugares nas universidades federais, cerca de 78,8%.

Parte dessa melhoria é um reflexo de políticas públicas, como o sistema de cotas. Claudio Crespo, pesquisador do IBGE, aponta que essas informações são relevantes, mas como a desigualdade é histórica e estrutural, os avanços para a população preta só acontece quando a política pública e mobilização social são diretas. Houve também um aumento de estudantes negros nas universidades privadas, boa parte por conta do Prouni (Programa Universidade Para Todos).

Entretanto, ainda é preciso pensar em políticas que auxiliam na permanência desses estudantes até o final do curso. O sistema de cotas e o programa de bolsa, ofertados pelo governo, são só um primeiro passo. Muitos desses jovens pretos tem demandas sociais que os brancos não tem, o que acaba conflituando com os estudos.

A consequência disso, é a escassez de professores negros dentro das universidades, reforçando uma ideia de que a academia e o ambiente da pesquisa é um espaço apenas para – homens – brancos.
E o desafio final, para os que terminam a graduação, é de encontrar um espaço dentro do mercado de trabalho, lutando contra um preconceito estético e de competência, por conta do racismo.

Para as mulheres pretas, isso pode significar receber em média menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%).

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